A questão da Bolívia
A nacionalização da exploração das reservas de gás e petróleo decretada pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, causou surpresa em muitas partes do mundo e espanto no governo Federal, que foi pego com as calças na mão. Provavelmente o alto escalão de Brasília não esperava tal atitude do aliado boliviano.
Como é de costume, não demorou para que países como a Espanha, e sobretudo o Brasil, se pronunciassem desfavoravelmente à medida que torna as petrolíferas transnacionais apenas prestadoras de serviço do estado boliviano.
Ocorre que a atitude da Bolívia, tida como extremada pelos investidores e neoliberais de plantão, significou uma vitória importante para o povo boliviano e para a soberania do país. O presidente Evo Morales assumiu o governo com uma plataforma de governo claramente anti-neoliberal por isso os detentores do poder querem fazer crer que sua atitude é retrógrada, sobretudo diante daqueles que imaginam que o modelo atual, baseado no desmonte do estado, é o único que possui legitimidade para existir.
Para os que possuem uma visão histórica um pouco maior, a nacionalização da exploração dos hidrocarbonetos é uma lição da Bolívia para toda a América Latina, cujos governos há décadas se afundam na lama trazida pelo decadente modelo do neoliberalismo. Caos social, desmonte do estado e precarização dos direitos trabalhistas estão entre as principais mazelas deste modelo atualmente em vigência.
O exemplo boliviano mostra que ainda é possível cavar um governo que coloque os interesses do povo e da nação acima dos interesses das transnacionais e do grande capital. Abre uma brecha na ideologia cristalizada no imaginário político de que não há alternativa ao capitalismo selvagem e que se opor a isso significa, necessariamente, ser retrógrado.
Oxalá se os demais governos classificados como esquerda da América Latina tivessem coragem e vontade política para alçar semelhante façanha.
Escrito por Flávio Romanto às 16h01
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