CRÔNICA SOBRE JOGO DO BRASIL
Óleo, 22 de junho de 2006
Primeiro dia de férias e já não tenho nada para fazer. Essa é a doce sina de se viver numa pacata cidade. Nem sequer dá para rodear rio pois já é inverno. Muito menos tocar violão com o Willian na praça de madrugada. Os dedos ficam duros por causa do frio.
Dia de jogo do Brasil. Para muitos, sinônimo de sofrimento. As partidas travadas até agora deixaram muitas a desejar. Os adoradores de futebol reclamam pelas ruas, bares e esquinas da atuação da seleção. Limito-me a ficar calado porque não entendo nada, ou melhor, quase nada. Porque em época de copa do mundo todo mundo se acha apto para palpitar sobre o tema, mesmo que esteja um tanto quanto equivocado.
Saí de casa a pé para tatear o ambiente. O mesmo de sempre. Minutos antes do início da partida todos somem como num passe de mágica. Fantástico. Parece que combinaram o exato momento de sair do serviço, do grupinho reunido em boteco, da lojinha da esquina. Os que continuam nas ruas é porque assistirão ao jogo por ali mesmo.
Na televisão é mostrado o bastidor da copa e o aquecimento dos jogadores há mais de uma hora. Falta ainda meia hora e tudo já está pronto. Locutor em posição, comentaristas, análises de um jogo que ainda não começou (como eles conseguem?), especulações mil sobre quem entra ou deixa de entrar. A culpa é do Parreira “ele está cheio de mistério nesta partida”, dizem. Agora entendi, o mistério do Parreira sobre quem vai jogar é que justifica tanta especulação.
Assisti ao jogo na casa de minha namorada. Muita festa, família reunida. Muita pipoca, broa e refrigerante. Bandeirinhas e bandanas do Brasil. A minha cunhada gritava “de virada é mais gostoso” toda vez que o Brasil esboçava uma reação contra o Japão. Comi bastante e não me lembro muito do jogo. Só sei que o Brasil joga melhor com os reservas do que com os titulares. Isso eu mesmo afirmo, sem precisar da opinião de um entendedor de bola.
Ao final do jogo, o mais engraçado e divertido: a carreata. Embarquei com meu irmão e o Botina no jipe de meu avô. Havia pelos menos mais um oito meninos conosco festejando. Cornetas de fanfarra e bandeiras ao ar. Éramos o primeiro veículo, o líder da carreata e provavelmente um dos mais animados. O trajeto seguiu da praça até o cemitério, depois continuou até o Cristo e, por fim, na praça novamente. Nessas alturas já era noite. Segui para casa rouco de tanto gritar.
Não gosto de futebol, mas aprendi que a confraternização em copa do mundo supera todas as diferenças.
Escrito por Flávio Romanto às 12h04
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